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Prosa Proética, do programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: 'O topo da pirâmide'

Por Mary Arantes, 13/02/2020 às 16:41
atualizado em: 14/02/2020 às 17:46

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Pedro Coutinho Marques tem 26 anos, trabalha na Droga Raia da Avenida Prudente de Morais 981. Atende o cliente, encaminha-o pra gondola com o que procura, pergunta e anota o CPF, vai ao computador, retira o ticket com o desconto do cliente. Ou seja, faz tudo o que e como um bom vendedor faria, que é o que ele é. Pedro tem Síndrome de Down e em um destes atendimentos, sem saber atendeu uma mãe que tem filho com síndrome de down, e ver Pedro ali trabalhando, fazendo-o tão bem, mostrou a ela o que poderia esperar do mundo pro seu filho, um mundo melhor, inclusivo. Esse fato fez com que ela gravasse um áudio e o divulgasse num grupo de pais com filhos com síndrome de down e foi este áudio que chegou até a mim.

Tenho o privilégio de ser amiga do Pedro e da família dele. O pai, Reinaldo, me mostrou na época em que Pedro fez a seleção para o emprego, o currículo de próprio punho feito por ele. Algo em torno de umas duas ou três páginas de papel A4... Ali Pedro colocou tudo que sentia, sonhava, gostava, desejava, desde amar comer massa com molho vermelho, detestar berinjela(?), pra no final dizer que, se passasse pelo teste e fosse selecionado para o emprego, chuparia muitos picolés com o dinheiro que ganharia. Só sei que na primeira semana como empregado, Pedro já falava em aposentadoria...

Impossível esta semana em que o Oscar aconteceu, não relacionar fatos como o do Pedro trabalhando, o do primeiro ator com síndrome de down apresentar o Oscar, Zack Gottsagen, à mensagem do filme O Curinga. Impossível não relacionar tudo isso à dificuldade de um ser humano que não é padrão, e ainda por cima pobre, como no filme, se inserir no mundo e o mais difícil ainda, ser aceito por ele. Um prêmio como o do Curinga, deve ser celebrado por todos nós, pois é conquista de muitos invisíveis que ainda vivem abaixo da base da pirâmide. O Oscar 2020 foi uma quebra de paradigmas. O filme sul coreano ganhar quatro estatuetas também é memorável, mostrando cruamente na tela a diferença de classes sociais.

Ser incomum, ser diferente, é algo que requer peito para encarar o mundo de frente, e muitas destas pessoas, em completa situação de vulnerabilidade, não possuem essa força. Cabe a nós, nem que seja com uma simples prosa como esta, dar voz a eles.
Assim tem feito Laura Martins, cadeirante e criadora da “Cadeira Voadora”. Laura em suas mídias, questiona a acessibilidade, altura de pias, largura de portas, acesso a banheiros de aviões e tantas outras questões, como as simples vagas de trânsito, à que têm direito, reservadas para cadeirantes, mas que muitos que andam, ainda insistem em nela estacionar.

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