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Prosa Poética, no programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: ‘Pastel de vento’

Por Mary Arantes, 16/04/2020 às 21:25
atualizado em: 16/04/2020 às 21:35

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Foto: Reprodução/ Sabores Ajinomoto
Reprodução/ Sabores Ajinomoto
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Os moços que vendem gás, devem ter reparado que a procura por este item aumentou nesta quarentena.

Isolados em casa, cozinhamos e comemos muito mais.

Como diz meu filho, nunca se fez tanto bolo neste país.

Os canais de gastronomia têm nos salvado.

Leo do Glouton, Felipe Rameh do Alma Chef e  A Casa de Agnes, nos premiam com receitas e dicas preciosas. 

Moreco aqui em casa deu um show na cozinha. Pra quem não dominava o quesito, ganhou 10 com louvor.

Um dia lembrou daquelas tortas de liquidificador que comíamos antigamente e escondido de todos, trancou a porta da cozinha e só deixou que entrássemos lá quando tudo estava pronto.

Sem contar que ao ler a receita, descobriu que precisava de maisena e que não tínhamos aqui em casa.

Teve que pedir pro meu irmão que mora no mesmo bairro, uma porção desse pó milagroso e montar um plano para a busca.

Depois fez pro lanche da noite, uma broa maravilhosa.

Pro café da manhã do dia seguinte, só restou um pedacinho de tão “broa”que ficou.

Fizemos juntos, pela primeira vez, uma foccacia, um tipo de pão italiano.

Esse merece ser contado passo a passo.

A receita levava um quilo e meio de farinha de trigo, ou seja, uma quantidade razoável.

Fizemos todo o processo e na hora de colocar a massa pra descansar e depois crescer, subi pra tomar um banho.

Quando voltei, o que era pra ter sido colocado em dois tabuleiros, Moreco havia colocado tudo numa forma só.

O resultado foi uma mega foccacia, de 4 dedos de altura.

Mas nada disso impediu que ficasse deliciosa.

Quentinha, com flocos de sal grosso sobre a superfície e perfumada de alecrim, hummm... fez nossa noite muito mais feliz.

Eis que uma tarde chego na cozinha e ele estava fazendo massa pra pastel.

Na verdade, eu não sabia o que era massa grudenta, Moreco, barba por fazer, cabelos grisalhos e farinha de trigo.

Respirei fundo, busquei na memória o que estava guardado dos pasteis da minha mãe.

A primeira coisa foi limpar o rolo de pastel da meleca que estava, esfarinha-lo, pra começar a pensar em abrir a massa, que ficou longe da fininha que minha mãe fazia.

Os pastéis ficaram a desejar, apenas no quesito formato, pois no sabor, não sobrou nenhum pra contar a história.

A velha carretilha que jazia na gaveta à espera desse momento, finalmente foi usada.

Fizemos pastel com carretilha, apertando com garfo, usando a boca de um copo grande, como corte.

O resultado foi pastel de tudo enquanto é formato e tamanho.

Moreco ria e dizia que se fôssemos vender, teríamos que ter preços variados.

Leca, minha nora, reclamou que tinha muito recheio, delicada nos disse que da próxima vez poderíamos fazer com menos.

Alguém aí que está me escutando, já ouviu freguês reclamar que o pastel veio com muito enchimento?

Da próxima vez faremos pastel de vento!

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