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Prosa Poética, no programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: 'Salão de banheiro'

Por Mary Arantes, 14/05/2020 às 16:41
atualizado em: 14/05/2020 às 16:45

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Foto: Freepik
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Resolvi fazer nesta quarentena o que vinha adiando, as unhas dos pés!

Sabe quando a danada roça na coberta avisando que está precisando de lixa?

Estavam imensas, no melhor estilo fura bico de sapato.

Fui à gavetinha onde guardo os instrumentos necessários para a tarefa, quase nunca usados, e peguei tudo, tesourinha, dois alicates (todos cegos), lixa normal, lixa metálica, acetona, algodão, creme para deixar a cutícula mole, base para unhas fracas e pausinho de laranjeira, pra tirar o excesso de esmalte (detalhe, nunca uso esmalte nos pés)!

Tudo o que eu precisava estava ali, menos uma boa manicure!

Escolhi a beirada da cama próximo à janela, mas a luz e a posição não favoreciam.

Acabei indo pro banheiro, lugar que considerei a iluminação ideal.

Cortei primeiro as unhas, verdadeiros cavacos, lixei todas e como nos salões, pus algodãozinho molhado sobre cada uma.

A primeira unha que peguei pra fazer foi a do mindinho, e já senti na hora que o serviço não ia ser moleza.

É que meu dedinho e a unha, ficam meio deitados sobre o chão e apesar deu fazer um verdadeiro contorcionismo, não conseguia enxergar a unha.

Só sei que fui lixando, meio sem saber se lixava unha ou dedo, afinal era tudo um cascão só!

Nem bem tinha começado, já queria desistir, afinal como seria fazer a unha, de um dedo que eu mal via?

Além da vista pouca, a pança dobrada sobre as pernas, aumentava a dificuldade do acesso.

A perna que ficava puxada, pra fazer as unhas, ia carecendo de irrigação sanguínea e eu ia ficando dormente junto dela.

Mas não sou mulher de esmorecer fácil e pensei, quem sabe em vez de fazer na ordem, das pequenas pra maior, não pulo pra maior de uma vez?

E lá fui eu pro dedão!

A cutícula do bendito esparramava sem dó sobre a unha, como não tinha aquele apetrecho de empurrar cutícula, usei a ponta da tesourinha para fazer o afastamento.

Fiz uma boa limpeza com a ponta da lixa de metal, boa pra cavoucar debaixo da unha.

Tirei terra suficiente pra plantar uma mini suculenta.

Nessas alturas, a coluna, curvada à procura de unhas, começou a reclamar, e meu lado manicure ia minguando cada vez mais...

Depois dessa limpeza feita no dedão, as coisas começaram a clarear, meu pé estava tomando jeito, afinal o dedão e sua unha são os que mais aparecem no pé.

Mas aí veio uma surpresa que eu não esperava, a proximidade do pé com o rosto era tamanha, que um cheiro azedo se fez sentir.

Não tive dúvidas, meu pé, esquerdo, estava com chulé!

Pensei em usar a máscara que ganhei pra quarentena, mas achei degradante fazer a estreia desse presente, para este fim.

E foi assim que conformei com a ideia de que era melhor mesmo eu fazer só a unha do dedão, de cada pé, que é a que imagino ser mais vista do alto e deixar as outras sem fazer.

Afinal beleza, é apenas uma questão de ponto de vista!

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