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Quarentena e moralidade no futebol

Por Redação, 24/05/2020 às 20:56
atualizado em: 25/05/2020 às 08:34

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Foto: Lucas Figueiredo/MoWa Press
Lucas Figueiredo/MoWa Press

Por Milton Naves

Uma frase que vem sendo bastante dita nas análises mais filosóficas sobre esta que é a maior crise sanitária e de saúde dos tempos modernos é: “Quando isso tudo passar, não se pode retomar ao normal, precisamos abrir para um mundo melhor”. O normal não era bom o suficiente, e o isolamento tem evidenciado essa conclusão. 

A interrupção de certos hábitos nos faz pensar sobre o sentido deles. A repetição habitual de uma atividade, com o tempo, faz sumirem as reflexões sobre o sentido, a importância e até mesmo a necessidade dela. “É a força do hábito”.

A ausência faz pensar. A ausência do futebol ao vivo, pelo que tenho reparado, já gerou algumas conclusões, sendo a primeira delas a mais óbvia: futebol faz falta.

Faz falta porque é uma emoção que a gente gosta de sentir. Faz falta porque alguns talentos realmente dão gosto de acompanhar. Faz falta até a raiva que, de vez em quando (e às vezes não tão “de vez em quando” assim), ele nos faz passar. Faz falta porque é o tempo de tirar a cabeça dos problemas do dia. Porque é o tema do seu grupo preferido de Whatsapp. Porque é o assunto que te faz ter contato até hoje com o amigo da escola. Ou simplesmente porque futebol te faz lembrar que torcer não tem absolutamente nada a ver com ganhar ou perder. 

Futebol faz falta porque ele rima com a vida. Tem hora que não é justo. A raça é fundamental. Talento é importante, mas não é tudo. União, dedicação e sintonia nem sempre garantem a vitória, mas permitem que se saia de cabeça erguida, independentemente do resultado. 

Mas, para além da conclusão óbvia, existem também algumas latentes, que estão começando a tomar conta. Uma delas é, sem dúvida, a de que a tolerância ou a cegueira com relação à imoralidade no futebol tem que acabar.

O futebol vai voltar. A imoralidade tem que ficar para trás. Fácil falar, difícil aplicar? Talvez. Mas existe uma força que é, disparadamente, o maior poder do mundo do futebol. Não são os direitos de transmitir. Não são as federações. Não são, definitivamente, os cartolas. O maior poder do futebol está na mão do torcedor. Agora, mais ainda. A grande crise econômica que já assola o mundo inteiro e que não excepciona o futebol vai deixar ainda mais evidente a enorme dependência dos clubes em relação a seus torcedores. 

Esta é a verdadeira janela de oportunidade. Estamos acostumados com as torcidas organizadas. Precisamos agora de um torcedor organizado. Torcedores difusos, não pertencentes a movimento ou a entidade alguma, mas moralmente organizados em torno de alguns compromissos. O compromisso com a cobrança de transparência. O compromisso com a crítica para além dos gramados. O compromisso de transformar a torcida em um grande “Conselho Fiscal” – e moral. 

Raça dentro de campo e moralidade fora.

Esse precisa ser o lema de todo clube, se quiser fazer um compromisso com a sua existência de longo prazo. Com a sua perpetuidade entre as gerações. E, especialmente, um compromisso com o fato de que os clubes precisam passar a merecer a torcida que têm.

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